domingo, 12 de julho de 2020



Quase um Compromisso de Amor

                                     Antonise Coelho /Maio 2020     

                           

 

Noite de Sexta-feira, fim de ano, o Shopping Salvador está lotado.  Por isso, procuro um local menos movimentado, algo difícil nesta época.  A vontade de comer um sushi era imensa. Reluto. Sei que apareceriam alguns inconvenientes de alergia no dia seguinte, mas não resisto ao prazer palatável.

Enquanto aguardo o prato pedido, observo a movimentação das pessoas: uma jovem passa com o bebê num canguru. O bebê dorme todo aconchegado com o calor do corpo da mamãe. Em frente à mesa, um casal discute sobre finanças. Eles falam alto e dá para escutá-los. A mulher reclama da dificuldade em pagar as contas do cartão, enquanto o homem rebate os comentários dela, dizendo-lhe que gasta demais, que é a culpa é da companheira. As culpas são trocadas mutuamente.

Essa escuta me revela o quanto as relações de hoje estão fragilizadas e, por isso, pensar sobre mim é inevitável. Vivo solitária e ao mesmo tempo evito um alguém que venha abalar meu estado. O velho ditado dos meus avós vem à tona: ‘melhor sozinha do que mal acompanhada’.

Ao saborear os maravilhosos makimono, futomaki e alguns Hot Roll (criação do brasileiro para a crocante variação do sushi), acompanhados de tiras de pepino e gengibre, os pensamentos voam a um passado mais distante.

Logo as papilas gustativas da minha língua reconhecem aqueles sabores e me levam a um lugar de memória afetiva: o convite de um jantar que me relembra muitas emoções. Cheguei ao restaurante no último andar do Hotel com uma vista singular para a cidade e, principalmente para o rio. Pouca iluminação, com castiçais acesos. Toalhas bordadas dão um toque intimista.  Há poucas pessoas no ambiente e apenas o som de uma música instrumental. O maîte me recebe e me encaminha a uma mesa reservada.

Direciono meu olhar para o homem elegante que me espera. Ele não é jovem, mas charmoso e cavalheiro e logo puxa a cadeira para eu me sentar. Cumprimento-o com um beijo na face e, discretamente, solto um sorriso por perceber que o meu atraso costumeiro não havia lhe causado mal estar. Paulo olha para mim e fala:

- Querida, o que importa é que veio ao nosso jantar. – Aliviada, sinto a minha face ficar enrubescida, enquanto recebo o cardápio do garçom.

Resolvemos saborear comida japonesa e por termos diabetes o sushi e o yakimono seriam acompanhados por salada. A minha fome era mesmo pela conversa que teríamos, precisava me fartar com palavras daquela mente tão inteligente e gentil. Havia sempre um desejo oculto, pernicioso em meu olhar, mas não passava disso.

Era um amigo comprometido, cavaleiro à moda antiga. Eu o respeitava sobremaneira para assentir que nossa amizade se transformasse em um caso amoroso. O que nos unia era muito mais poderoso, intenso e verdadeiro.

Da parte dele havia um desejo mais profundo pela mulher que eu representava. A juventude era um atrativo a mais naquela noite. No entanto, somente muito tempo depois, eu iria me questionar por não ter conhecido em profundidade o homem que ele era.

- Que perfume delicioso? O que usa? – alude Paulo para provocar um assunto mais pessoal.

- Gostou mesmo? É lichia e pimenta. – eu lhe respondo com um olhar. Em seguida, aproximo meu braço à face dele e o provoco de forma vaporosa.

O garçom nos entrega os cardápios e examino a carta de vinhos paro o jantar. Quem sabe um chileno Mont Gras, mas sem nada dizer, resolvo desistir da escolha. Naquela noite, o teor da conversa não permitiria a companhia de vinho. Fico com meu desejo. Fazemos os pedidos e acrescento um suco de abacaxi com hortelã e muito gelo. Sinto a brisa noturna se aproximar pelos janelões do ambiente, enquanto Paulo aproveita meu silêncio e pergunta:

- Então, você pensou sobre o que lhe falei em nosso último encontro e, principalmente, a proposta?

 Eu me engasgo com o gole de água. No íntimo, não sabia o que lhe dizer.  Era esperada aquela pergunta, mas eu não tinha uma resposta convincente a dizer.  Deixei-me vagar, falando sem parar;

- Sim, pensei muito sobre a situação. Afinal, se eu pretendo ser mesmo uma escritora, preciso mudar meu comportamento. Buscar os solitários momentos em reclusão para poder escrever melhor.

- Ótimo, é isso mesmo. Se você quer almejar esse sonho, tem de deixar festas, compromissos sociais com amigos e viver mais reclusa. Não é possível conciliar uma vida tão intensa de atividades e noitadas.

- Não é bem assim. Você está exagerando, Paulo.

- Não é? Todos os finais de semana, você tem festas e compromissos sociais. E o trabalho durante a semana. Não sobra tempo e espaço para a vida literária.

- É tem toda razão, preciso mudar meus hábitos.

Ao refletir a insistência de Paulo para que eu mudasse meu comportamento, percebia que seria difícil mudar. Era um desejo imenso para estar em eventos e noitadas para dançar e me divertir com amigos.  Não havia compromissos comigo mesma ou com quem quer que fosse. Não queria ser aprisionada.

O garçom nos trouxe a bebida e deu um fôlego àquela conversa. Já tinha me arrependido de não ter pedido uma taça de vinho. O assunto principal ainda não tinha vindo à tona.

- E sobre a minha proposta? Você sabe do amor que tenho por ti como homem. Se você não aceitar, não seremos mais amigos.

Aquelas palavras soavam fortemente. Bebi um grande gole do suco que já estava doce o suficiente.   

- Paulo, sinto muito, temos que conversar melhor sobre tudo isso. Você sabe que eu não posso aceitar.

- O quê? Por que não pode? Você é uma mulher livre. Eu não a compreendo. Às vezes, parece demonstrar interesse por mim e depois recua.  

- Paulo, como você poderá desistir de sua vida e da trajetória de longos anos comprometido com uma companheira? Não podemos viver uma aventura?

- Não quero uma aventura, mas um compromisso de amor. Estou lhe pedindo apenas dois anos de sua vida. Dois anos!

- Você, por acaso, tem a previsão de tempo de vida?  Como pode dizer que são apenas dois anos? A vida não tem cartas marcadas. E os seus filhos, o que eles pensarão disso?

- Estou falando sobre nós. Deixe os outros de fora.

- Eu acho que não é bem assim. Somos amigos acima de tudo. E para realizarmos isso, eu precisaria estar envolvida emocionalmente com você, Paulo.

- Você não está envolvida comigo? Tem alguém em sua vida amorosa?

- Não fale assim. Claro que existe alguém em minha vida. Não é tão simples assim para nós dois. Somos comprometidos e não teríamos como suportar as consequências de uma relação amorosa.

A refeição chega à mesa, mas com aquela conversa era difícil saborear. Forcei o organismo para que a glicemia não baixasse e pedi outro suco.

Paulo persistia com o diálogo. Elegante, falava baixo e alegava que tinha chegado tarde à minha vida. Éramos muito diferentes em temperamentos e experiências de vida.

Eu tinha meus próprios motivos para não começar a viver uma paixão de curta duração. Ter o amigo era muito melhor do que um caso amoroso, o qual somente traria dissabores às nossas famílias.

Enquanto eu falava, Paulo mexia no prato principal, mas sem comer. Senti que ele estava muito chateado comido. Em seguida. pediu ao garçom que trouxesse uma dose de Cointreau para finalizar o jantar. Talvez o digestivo ajudasse a nos descontrair. Também aceitei. Meu estômago estava embrulhado.  

Terminamos o jantar em silêncio.  Não consegui convencê-lo a desistir da proposta que era tudo ou nada: ou o compromisso ou a amizade. Caso eu não aceitasse o compromisso, não havia amizade. Assim, na saída, apenas nos despedimos friamente.  Não houve mais encontros depois daquele dia. Paulo não queria me ver ou manter contato comigo.

Semanas depois, o Correio deixou uma encomenda de Paulo. Era um exemplar do livro de poemas de Florbela Espanca, escritora portuguesa. Ao folhear algumas páginas, encontrei um pedaço de papel colado com a letra dele e apenas alguns dizeres: “A menina é doce, a mulher não. A menina perdoa, a mulher, não. A menina é sensível, a mulher é venenosa. As duas vivem dentro de você”.

Como me doeu ler aqueles versos. Fechei o livro e guardei o exemplar. Floberla Spanca seria lido em outro momento. Passado algum tempo, pensando nas palavras lidas, eu tomei a decisão de ligar para ele e agradecer o presente. Não mencionei absolutamente nada sobre o poema encontrado. Recebi a mesma frieza na despedida.

Para aceitar aquela distância e a ausência de notícias e ligações de celular, intensifiquei minhas atividades com o trabalho e os afazeres domésticos. À noite, relembrava as nossas conversas, passeios e os conselhos recebidos.

As festas natalinas daquela época foram em família e com o silêncio de Paulo. Nas férias de janeiro, fui visitar um amigo em comum. Conversamos sobre as expectativas do ano que começava e meu amigo mencionou se eu tinha me encontrado ou visto Paulo nos festejos de fim de ano. No entanto, há mais de seis meses que não o via ou conversava por celular.  Estranhei a pergunta, afinal não conversávamos sobre assuntos de cunho tão pessoal. Fui apresentada a Paulo por esse amigo comum em razão de um trabalho, mas havia uma curiosidade estranha que nem suspeitei a princípio do que viria depois.

 “Bem, não quero lhe assustar, mas as notícias sobre Paulo não são boas.  Soubemos que ele adoeceu e a situação ficou complicada. Infelizmente temos uma péssima notícia a lhe dar. Nosso amigo faleceu.

- O quê? Como isso aconteceu? Não é verdade.

- É triste demais e o pior é que isto ocorreu há um mês, durante o período de festividades natalinas. Ninguém nos avisou. Ficamos sabendo deste fato, justamente, hoje pela manhã, quando José foi ao aeroporto entregar uma encomenda e lá se encontrou com um dos filhos e perguntou por Paulo. A resposta foi de que ele tinha morrido há um mês.

Empalideci. Um aperto no peito tomou conta. As lágrimas escorriam pela face. Não dava para acreditar. Por que não fomos informados de que Paulo estava doente? Eram perguntas sem resposta.

 Rapidamente me despedi de nosso amigo e fui caminhar na orla, pois queria entender o significado daquela perda tão inesperada.

O fim de tarde deixava o rio com águas quase paradas, quietas. Mostrava, um pôr do sol avermelhado, para nos dizer que o dia seguinte seria mais quente.  Embora eu chorasse em demasia, talvez pela perda, talvez pelo arrependimento, sabia que não teria mais a companhia de Paulo nas caminhadas.

Cogitava tantas coisas e, principalmente, o nosso último encontro. As palavras dele não saiam da minha mente: São dois anos de sua vida. Será que você não pode me dar?

De repente, sou despertada daquele longo devaneio pelo segurança do shopping. Ele me diz que é hora de ir embora. As lojas estavam sendo fechadas. Não havia percebido o tempo passar. Aquele ensaio degustativo me levara para um lugar de saudade e até mesmo de um certo arrependimento que tinha deixado cicatrizes.

 


sexta-feira, 15 de maio de 2020

O JOVEM E A DEPRESSÃO: COMO SUPERAR ESSE PROBLEMA


Ao longa da vida, vivenciamos a tristeza, que é um sentimento subjetivo universal, ao nos depararmos com conflitos, frustrações e perdas. É normal sentir-se triste, mas quando isto perdura por um longo período de tempo, poderá levar a um sofrimento psíquico associado aos transtornos de humor. Infelizmente, vemos essa situação nos jovens com mais predominância nos últimos tempos. 

No texto a seguir, Ana Paula Delmondes revela as suas angústias pessoais e como conseguiu superar esses problemas. Ela faz um alerta para todos nós, mostrando seu exemplo de luta para viver bem com a força da oração, da presença de Deus na vida dela.  Profª. Antonise.



SEGUNDA PARTE - AQUILO QUE NUNCA FALEI


   O psicólogo do IF -Sertão me deixava livre para falar. Quando eu conseguisse, ele estaria ali para me escutar. Nisso tudo, meus pais ainda não sabiam o que estava acontecendo, e eu também não conseguia dizer a eles.
 Nos finais de semana quando eu ia para a casa dos meus pais na roça, eu me isolava e só chorava, mas eles não perceberam, na segunda-feira eu retornava para a residência. Meu peito apertava, meu corpo todo tremia, meu coração acelerava do nada e meus olhos lacrimejavam a todo momento.
Quando a noite chegava meus pais sempre me ligavam para saber como eu estava, aquilo já era um costume deles. Em um determinado dia minha mãe me ligou, e perguntou se estava bem, eu disse que sim, mas minha voz travou e ela percebeu, eu estava chorando, minha voz mudou, e ela perguntou se eu realmente estava bem, eu falei que sim e desliguei o telefone. Uns 5 minutos depois meu pai me ligou, e eu tive que atender, eu sabia que uma hora ou outra eu teria que contar para eles. Nesse dia Gabriel, que andava sempre comigo e é a pessoa que eu considero como irmão, estava comigo. Eu estava falando com meu pai e chorando, contei pra ele que eu não parava de chorar e falei do pesadelo. Ele ficou preocupado, e disse que não era pra me se preocupar, porque isso logo iria passar e que sempre que eu fosse dormir era para eu orar. Eu sempre rezava.
   O tempo foi passando e aquilo não mudava, meus professores já estavam notando, e eu não conseguia apresentar nenhum trabalho na sala de aula. Muitas vezes, os professores me chamavam para conversar fora da sala.
   Teve um dia que piorei, e fui conversar com o psicólogo, chegando lá ele me falou que achava que eu estava entrando na depressão e disse que eu não poderia continuar morando na residência, porque eu ficava muito sozinha. Disse que ia me passar um encaminhamento para que eu pudesse conseguir uma maneira de conseguir ir pra casa sem me prejudicar na escola. Ele pediu o contato dos meus pais, e contou tudo para eles e disse que eu precisava de um tratamento fora da escola.
 No outro dia, minha mãe foi me buscar na escola, e me levou para casa. As condições financeiras estavam péssimas, mas eles fizeram de tudo para conseguir me levar a uma psiquiatra.  Procurei tratamento, na minha primeira consulta eu não deixei minha mãe entrar, não me sentia à vontade de falar tudo que eu sentia na frente dela, pois tinha um certo bloqueio. Ela me perguntou sobre o meu passado. Eu contei tudo, sobre o pesadelo que me acompanhou por uma semana, traumas vividos, muita coisa que aconteceu com a minha família, só que aquilo não me incomodava. Ela falou que eu estava totalmente errada, e que meu problema estava diante de mim, preso a coisas que aconteceram e a um passado cheio de traumas e feridas que ainda não tinham sido fechadas.
Fui diagnosticada com depressão, crise de ansiedade e síndrome do pânico (eu tinha medo de tudo).  O lado bom foi que eu procurei ajuda desde o início, senão aquilo tudo tinha se agravado bastante.  Eu já não ia mais a escola, nem saía de casa, não sentia vontade de fazer nada que eu gostasse e minha autoestima era sempre baixa.
    Passei a tomar remédios controlados. Na minha casa não tinha alegria e minha mãe sentia falta da pessoa barulhenta que eu era.
   Meus pais choravam o tempo inteiro, e minha mãe falava que o maior medo dela era que eu cometesse suicídio. Não vou negar, muitas vezes tive vontade de fazer isso. Meu pensamento era que se eu me matasse logo, todo meu sofrimento iria acabar, mas pensei no meus pais, que iriam perder a única filha mulher que tinham.
  Resolvi lutar contra todos esses traumas, passei 4 meses tomando os remédios, tudo na hora certa. Mas não conseguia sair de casa.
  Quando me perguntavam se eu sabia como isso tinha começado eu falava que não, porque tinha medo de algo pior acontecer. Uma pessoa que tem crise de ansiedade, sofre tudo com antecedência, ela tem medo de um futuro que ainda nem chegou. Em dezembro de 2019, resolvi ficar tomando apenas 1 remédio, que era de fato o mais forte dos que eu tomava. O tempo foi passando e eu já estava sentindo uma melhora, crise do pânico eu já não tinha mais.
Deus sempre esteve comigo nessa luta que enfrentei.
 Infelizmente, ainda não consegui me livrar da ansiedade, quando alguém me fala alguma coisa que não me agrada, eu não falo nada, mas no fundo me dói muito, e eu sofro dias por causa de apenas uma palavra ou frase.
   Mas hoje eu já sou uma pessoa mais alegre, tenho meus remédios ainda, mas decidi parar de tomar. Muitas vezes eu prefiro ficar isolada, mas não é como antes. Consigo  sair para me divertir com meus amigos e voltei a fazer muita coisa que eu gosto.
    Então, deixo aqui um recado para quem sofre com ansiedade ou depressão: não desista. Quando algo estiver sufocando vocês, falem! JogueM tudo para fora.
    Eu sei que não é fácil, mas não é impossível superar. Se apeguem muito com Deus, porque sem ele, não somos nada.
    O suicídio não é o melhor caminho. Vamos lutar juntos!

Autor (a):Anna Delmondes

segunda-feira, 11 de maio de 2020

SERÁ QUE A VIDA É UMA FERIDA INCURÁVEL?




Neste período de muitos cuidados, novos hábitos de limpeza, isolamento social, nós estamos realizando muitas reflexões sobre o sentido do VIVER.  A aluna Eliza Vitória nos traz esses questionamentos. Comentem. 


Li em um livro que “ viver é uma ferida incurável”.
Sinto minhas feridas arderem todos os dias da minha vida, mas até quando isso?
Tento esconder todas minhas dores e fracassos em amores, cigarros, bebidas e transas.
Todas as pessoas desse mundo têm alguma válvula de escape, ninguém sai ileso desse mundo. Todos escondem algo, não existe uma pessoa se quer que não tenha problemas ou dores.
A única diferença é que alguns conseguem esconder por algum tempo a segurar a barra e outros desabam, sangram até a alma se corroer.
Quem lhe alivia?
Quem lhe cura desse caos?
Quem está mesmo ao seu lado quando tudo se desmorona?
Quem realmente se importa?
Quem é sua cura?
Quando me fiz todas essas perguntas, notei que todas as respostas estavam aqui, você não?
É você que se cura,  cuide-se e tenta aguentar todas as tragédias, é você que se levanta todos os dias da sua cama e implora pra ter força, a bagagem é difícil de ser segurada, mas a responsabilidade de tentar ficar bem é toda, completamente sua.
Lutem por vocês, um pouco de cuidado próprio é necessário e não é egoísmo.

Eliza Vitória


sábado, 9 de maio de 2020

VENCENDO A DEPRESSÃO: AQUILO QUE NUNCA FALEI


Ana Paula Delmondes, aluna do terceiro ano do Curso de Agropecuária, escreve com sensibilidade ao falar de seus próprios desafios e como está vencendo a Depressão É espetacular conhecer uma jovem tão talentosa para expressar em palavras suas tristezas e a capacidade de vencer, sempre. Parabéns, Ana Paula.



Hoje vou contar aqui nesse texto, algo que eu nunca esclareci para ninguém. Apenas quem convivia comigo sabia o que eu enfrentava. Talvez algumas lágrimas escorram dos meus olhos, porque ainda me dói falar disso, mas acredito que eu tenho que me libertar de tudo que se passou.
 Enfim, tudo começou no dia 24 de julho de 2019, é exatamente no dia do meu aniversário.     Eu tinha acabado de entrar de férias e fui para casa dos meus pais. Lá, comecei a sentir uma dor muito forte ao lado da minha cabeça, e não parava. Passei alguns dias assim, meus pais vendo que eu estava piorando me levaram para o hospital. Todos os dias ia para hospital para me aplicarem injeções e eu voltava para casa melhor, mas depois a dor voltava.
 Fui a um neurologista que me disse que eu tinha crise de enxaqueca e me passou um remédio, tão forte, que assim que eu tomava, se passavam alguns minutos e eu dormia. Passei os 14 dias que eu tinha de férias assim.
Eu era interna (residente) na escola onde estudo, e assim que retornei as aulas, algumas coisas estranhas aconteceram. Passei uma semana inteira tendo pesadelo com uma mesma pessoa. Nesse pesadelo, aparecia um homem, que ainda é meu parente, ameaçando minha mãe de morte e isso me atormentou muito. Esse pesadelo foi muito real, porque alguns meses antes, quando meus pais ainda trabalhavam em um bar, houve uma confusão, causada por esse mesmo homem, que de fato estava bêbado, mas no outro dia quando estava "bom" ele ameaçou minha mãe e todos da minha família (as pessoas que moravam na minha casa), por simplesmente ter sido denunciado, porque ele estava colocando a vida de muita gente em risco.
  Depois que eu tive esse pesadelo, eu não conseguia dormir direito, todos os dias acordava de madrugada com medo e era o tempo todo insegura a tudo. A partir daquele dia, começou o medo de perder minha mãe. Isso era tão grande que quando eu pensava nela, começava a chorar.
 Nos finais de semana eu ia para casa dos meus pais na roça, e retornava para a escola na segunda. Quando eu saía de casa, me dava um aperto no peito e meus olhos lacrimejavam.
 Meu comportamento foi mudando, em relação a tudo e a todos, eu chorava o tempo inteiro, me isolava, e muitas vezes eu saía da sala de aula chorando. Meu rendimento na sala de aula foi caindo, e meus amigos e alguns professores perceberam.
Nos corredores, já não andava sorrindo, uma tristeza me dominava, e eu sempre fui uma pessoa muito barulhenta, e muita gente notou que eu estava diferente.  Eu chorava tanto, que meus amigos resolveram me levar ao psicólogo da escola.  Mas enfim, quando chegava na sala dele, não conseguia falar nada, eu só chorava, minha voz não saía.
Realmente, foram dias muito difíceis.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

DISCUSSÃO SOBRE A PANDEMIA E A RELAÇÃO COM O MITO DA CAVERNA DE PLATÃO



O aluno Guilherme Pereira Evangelista Alves reflete sobre a atual situação de Pandemia, a partir do mito da Caverna de Platão. E agradece o apoio das amigas Alicia Pereira de Morais e Maria Vitória Belo que fizeram uma revisão e adaptação do texto. Guilherme estuda o curso Técnico em Agricultura no Campus Petrolina Zona Rural.

Irrupção

Irrupção veio do latim irruptionis, invasão, uma entrada súbita e impetuosa, de difusão rápida e energética. Esse termo é perfeito para descrever a atual situação do Brasil e do mundo que enfrentam a pandemia de corona vírus (sars-cov-2). Nota-se que, a grande dificuldade desta crise é a ignorância do ser humano em desacreditar na ciência, trancando-se numa caverna, e apenas ouvindo os mitos que ecoam pela escuridão, vendo os símbolos projetados pela chama da falta de conhecimento.
Desde o dia 11 de março de 2020, a.  Organização Mundial da Saúde - OMS considera como pandemia a irrupção do novo Corona vírus, em 6 de maio e já existiam casos em 108 países. O mundo está novamente enfrentando uma pandemia de um organismo devastador, inimigo invisível, aos olhos, mas seus sintomas são letais, e nada mais real que a morte.
O mundo voltou os olhos para a saúde pública e bem-estar social, países de quarentena, cidades sofrendo os chamados “lockdown”, endurecendo as medidas de isolamento, a humanidade sendo posta a prova novamente. Neste meio, encontra-se o Brasil nadando contra a maré, há quem ouse chamar o vírus de “gripezinha” e tratar a situação com mediocridade.
Logo, o desrespeito ao isolamento social, leva ao enfraquecimento dos esforços de milhões de pessoas em território nacional, que mudaram suas vidas de forma drástica para evitar um colapso social e econômico, o caos se instaura quando os líderes pensam que a economia não pode parar, “O Brasil não pode parar”, dizem eles, economias podem ser recuperadas, vidas não.
Em meio a todo o caos nos sistemas de saúde colapsando pelo mundo, a ciência proveu os fatos de que para achatar a curva e conseguir tratar os infectados o isolamento social deveria ser respeitado, porém, a ignorância alimentada por lobos, guia as ovelhas para seu fim.
Seguidamente, defender ideologias infundadas e posicionamentos cruéis tem gerado uma onda de insegurança, levando a protestos para a reabertura de comércios e estabelecimentos não essenciais, passeatas pelo fim do isolamento criadas por uma porcentagem insana da sociedade que decidiu abraçar uma causa. Essa defesa que vai contra a ciência, contra a saúde pública, e claro, contra a própria humanidade, que verá os efeitos das más sementes que germinaram com descaso, cresceram com ódio e seus frutos serão as mortes de milhares de pessoas, que não são apenas estatísticas e números numa tela ou tabela, são vidas perdidas, mortes evitáveis.
 Em suma, a sars-cov-2 não é a primeira nem a última pandemia da história. É apenas mais um capítulo do livro chamado humanidade. Portanto, os líderes devem abdicar de suas ideologias, e olhar para o único local onde ainda existe luz.  A saída da caverna é a ciência, a educação e a tecnologia.
Atente-se, que mais uma vez, estamos num período de trevas e em algumas partes do mundo as pessoas usam lanternas para iluminar o caminho; em outros, fomentam crenças em mitos, abdicam da luz do sol, com medo de queimar os olhos com a verdade, atacando quem dedica sua vida a estudar, entender e procurar soluções para problemas reais.
Evidentemente, não adianta ignorar os cientistas do mundo por anos, e cobrar uma cura quando as pessoas começam a morrer. Precisamos de uma irrupção de conhecimento, verdade e empatia; a ignorância não pode prosperar nessa terra, após a peste sempre vem o renascimento.









quinta-feira, 7 de maio de 2020

Ser Mulher

Mais um texto reflexivo de Ana Paula Delmondes. Desta vez, sobre ser mulher


Ela


Cheia de insegurança, de incertezas, de coisas que talvez não aconteçam, mas que ela insiste em acreditar. Moça fria, já fez algumas merdas na vida (afinal, quem nunca fez, Né?!). Essa mina é uma bagunça em pessoa. Enfim, ela tem mil e um defeitos e as pessoas insistem em mostrar a essa moça que ela tem uma riqueza enorme dentro de si, que só ela não consegue enxergar.

Muitas vezes já se olhou no espelho e ali não conseguia enxergar nada que a deixasse feliz, não estava satisfeita com seu corpo, nem com seu cabelo. Quase todos os dias eram assim, por isso resolveu se isolar. Assim, o único peso que ia carregar era se ela se olhasse no espelho. 

Um certo dia, por incrível que pareça, acordou com o pensamento diferente, resolveu ignorar o espelho, tomou seu banho, lavou o cabelo, e colocou um short qualquer e uma blusinha, como de costume. Naquele dia, não sentia medo de sair, nem estava ligando para o que os outros iam falar em relação a ela. Era como um pássaro que aprendeu a voar, se sentia livre! Saiu, dançou e se divertiu muito.

Quando chegou em casa, estava se sentindo leve, não carregava mais aquele peso e foi ali que essa mulher entendeu que se fizesse o certo ou o errado, sempre iria ter alguém pra falar dela, no bom ou no mal sentido". Então, ela resolveu fazer o que a deixava feliz. E para o resto? Ela ativou o modo ‘foda-se’ e aquele foi o dia mais feliz da sua vida. O dia que ela realmente resolveu aceitar o mulherão que ela era!


Autor(a): Anna Delmondes


quinta-feira, 30 de abril de 2020

A INDESEJADA DAS GENTES


A VIDA CONTINUA E EM BREVE,  ESTAREMOS LIVRES DESTE VÍRUS CRUEL.


  A INDESEJADA DAS GENTES

             Peço licença a Manuel Bandeira, grande poeta brasileiro, 
         para usar a expressão "a indesejada das gentes"
         Que corre solta, sem cabresto, numa vil empreitada.
Estava adormecida, mas a insensatez humana provocou seu despertar.
Quem sobreviver a ela não será mais como antes.
A indesejada das Gentes percorre mares e continentes e, até no sertão, vai chegar.
Desta vez, mais impiedosa e sorrateira, 
numa velocidade sem tamanho.
Um punhado lembrará seus efeitos na humanidade.
Alguns rogam para Deus, Alá, aos Anjos e Santos, 
o perdão dos pecados; enquanto outros, 
atravessam a tempestade incitando a sina.
A Passos largos, bate à porta dos sertanejos que imploram a ‘bença’ de Padre Cícero.
Para vencer essa Indesejada das Gentes basta ser Caruá e se esgueirar no aconchego solitário do lar. 
Nas frentes de batalha, resistem os destemidos e incansáveis profissionais de saúde, 
os gestores aguerridos com a causa.
E os iniludíveis não verão sortilégios nem tangos argentinos.
- Vai Passar! Tomara que sim!
          E quando tudo isso passar, vamos nos deitar à beira do Velho             Chico, agradeceremos a Deus o dom da vida,
          exaltaremos o Sol e na Consoada,
          contar-lhe-ei meus desejos mais íntimos.

Antonise Coelho de Aquino-
 Petrolina, 29 de abril de 2020


segunda-feira, 27 de abril de 2020

A LEITURA E A ESCRITA PARA AFASTAR MAUS PRESSÁGIOS EM TEMPO DE PANDEMIA



A PRESENÇA DA LEITURA E DA ESCRITA EM TEMPO DE ISOLAMENTO SOCIAL

Antonise Coelho de Aquino

A leitura entrou em minha vida na infância e nunca mais foi embora e, por isso, nesses dias de quarentena devido à pandemia do vírus Corona – doença Covid-19, busco a leitura e a escrita para afastar os maus presságios. Tive o privilégio de receber a influência de bons leitores: meus pais, avós maternos, professores e amigos, os quais fizeram com que o ato de ler fosse parte intrínseca de todas as etapas de minha vida.
Muitos anos depois, exercendo o magistério, percebi o quanto era necessário incentivar o gosto dos alunos por atividades de linguagem (ler e escrever) em sala de aula. Isto é o que fiz e faço, até hoje no exercício docente.
Na última década, aos poucos, fui me familiarizando com a tecnologia e criei com a ajuda de alunos e ex-alunos o Blog Tempo da Palavra. Em 2019, foi feito o cadastro no Google, transformando-o em Site/Blog. O curioso é que, os textos de atividades planejadas e de textos autorais postados, ao longo dos anos, apresentam um relevante aprendizado de escrita.
Concluí que existe um prazer desfrutado por quem participou e participa deste Blog e, consequentemente, esse escritor que deixou de ser apenas um leitor de romances, de livros policiais, porém alguém assim como eu mesma, que sente a adrenalina provocada por esses gêneros de ficção.
Não tenho preconceitos com qualquer tipo de literatura. Relembro que durante os estudos no Colégio N. Senhora Auxiliadora, em Petrolina-PE, eu ia buscar livros emprestados de Agatha Christie (1890-1976) na casa da amiga Tânia. Também sentia-me fascinada com a leitura dos clássicos da literatura universal e a brasileira ( às vezes mal interpretados e considerados chatos pelos jovens).
 Aproveito o ensejo para sugerir alguns autores que fizeram parte da trajetória desta mulher sertaneja, dentre os quais: Cervantes, Edgar Alan Poe, Sherlock Holmes, Jorge Luís Borges, Mário Quintana, Clarice Lispector, Cecília Meireles,  Ligia Boyunga Nunes, Ligia Fagundes Telles, Raquel de Queiroz, José Américo de Lima (era pernambucano e meu amigo particular, quanta saudade!) e tantos outros autores, homens e mulheres que alcançaram êxito com as narrativas, poemas, proporcionando-nos entretenimento, prazer, conhecimento crítico das coisas e dos seres.
Há de se considerar que a leitura/literatura não é um mero divertimento, mas é capaz de traçar aspectos significativos da história da humanidade, além de questionar e apontar diversos problemas sociais, políticos, históricos, econômicos e de saúde, como a pandemia originada pelo Corona vírus, neste ano de 2020.
Ao ler o mundo, antes da leitura de palavras, segundo nosso grande pensador Paulo Freire, nós estamos modificando nossa própria maneira de ser e de agir com muito mais maturidade, bem como carregados de esperanças que as leituras nos permitem sentir.
Finalizo esta escrita me apropriando das palavras de Jorge Luís Borges, citado pelo simpático pensador Roger Chartier ( 2007), o qual eu tive a alegria de conhecê-lo pessoalmente, como também ajudá-lo a solucionar um contratempo no Campus da Universidade Federal de Minas Gerais em 2010 e afirmou: “ O livro não é uma entidade fechada: é um diálogo, uma relação; é um centro de inumeráveis relações” estabelecidas entre o leitor e a obra, entre o leitor e mundo.
Se o ato de ler me proporciona tantas reflexões, aprendizados, lembranças é porque esse ato não é, nem nunca foi,  um ato solitário e fechado, mas está carregado de sentimentos, interações e possibilidades de contato com as vidas de pessoas de diferentes regiões e épocas, mesmo em momentos tão difíceis, como os quais estamos passando agora.  

INFÂNCIA: " Em cada machucado, uma história".


Em sala de aula, falamos sobre o tema INFÂNCIA com meus alunos e alunas do 2º ano em Agropecuária. É uma temática abordada pelos poetas da Geração Romântica da literatura brasileira porque muitos estavam em exílio, longe do País. 
Já para os alunos, esse período da vida aconteceu há bem pouco tempo. As memórias estão ali bem próximas. Acredito que isto ajudou a refletir sobre o papel das amizades, das trocas.
Temos aqui os textos de Luis Gustavo e Brena. Parabéns!

    Infância
 Luiz Gustavo Ramos dos Santos


Com quais palavras podemos definir nossa infância, talvez lembrando dos bons momentos, boas falsas ilusões.
Época de ingenuidade, por exemplo, quando achamos que nosso pai é o homem mais forte do mundo. Sendo também a época de novas descobertas, de novos sonhos e possivelmente a escolha da profissão.
Considero a infância como época de alegria e brincadeiras, quando brincamos com nossos amigos de esconde-esconde, pega-pega, dono da rua, jogamos bola e nossa maior preocupação era não ouvir o chamado da minha mãe para acabar as brincadeiras.
 Será que minha mãe vai me chamar agora para entrar?
 Porém, você cresce e se depara com decepções. É como diz um trecho da canção de autoria da  kell Smith, você descobre que um joelho ralado doe bem menos que um coração partido.



INFÂNCIA

                          
Brena Menezes

Nem vivi as outras fases, mas posso falar com toda certeza que a infância é a melhor fase da minha vida. O maior problema era quando chegava a noite e não dava tempo de brincar mais e eu tinha que aguardar chegar o outro dia para continuar brincando. 
Quando eu ia para a roça e brincava na terra, criando castelos ou então quando eu pegava um papel e desenhava um mundo conforme a minha imaginação.
Com alguns brinquedos, eu viajava para qualquer lugar criando um mundo do meu jeito, ou então quando eu caia e me machucava. Cada machucado é uma história.
As minhas férias foram as melhores, eu ficava vários dias na casa dos meus primos e lá eu brincava bastante, ficava horas jogando UNO ou até mesmo "inventando" brinquedos, como pegar uma garrafa e transformá-la em um skate ou então pegar uma embalagem com quatro tampinhas e fazer um carrinho, sempre usando a imaginação.
Todos deveriam aproveitar a infância da mesma forma, se desapegar do celular e ir brincar de pique esconde, amarelinha... Entre outras brincadeiras e aproveitar essa fase da vida de uma forma simples e feliz.


quarta-feira, 22 de abril de 2020

SER UM SEGUIDOR DO BLOG TEMPO DA PALAVRA

 1. Por que é importante ser um SEGUIDOR DO BLOG TEMPO DA PALAVRA?

Justamente para que possamos saber quem está deixando os comentários dos textos publicados. Se você não se cadastra, aparece a palavra UNKNOWN, ou seja, desconhecido. Portanto, ajude-nos a publicizar esta ferramenta de grande importância para os nossos alunos e também para mim.


2. Se desejar enviar seu próprio texto, o e-mail do Blog é TEMPODAPALAVRA@HOTMAIL.COM ( EM letras minúsculas)
3. Clique ao lado ( seguir) e adicione seu e-mail do gmail. Esse cadastro pode ser feito no CELULAR também.

Aguardamos a sua participação.

Professora Antonise

A SAÍDA DE CASA - Ana Paula Delmondes

Em tempos de isolamento, longe do Campus, das aulas, a escrita do texto de Ana Paula Delmondes, aluna do Terceiro em Agropecuária do IF SERTÃO PE nos traz uma profunda reflexão sobre o modo de viver e o quanto está em casa, com a família são momentos de aprendizagem e amor. 
Depois que tudo isso passar, o retorno às aulas, ao Campus e à casa dos parentes será realizado com mais maturidade e força para estudar e vencer as dificuldades. 

PARABÉNS, Ana Paula Delmondes.

Caros seguidores, agradeço-lhes a contribuição de vocês ao enviarem suas produções para o e-mail tempodapalavra@hotmail.com



A saída de Casa

    A saída da casa dos pais em busca de sonhos é algo que mexe muito com o psicológico dos adolescentes, vindos de uma realidade humilde, em que os pais trabalham na roça para poder sustentar os filhos e, às vezes,  o que eles ganham não é o suficiente para arcar com as despesas da família.
    O jovem sai de casa com o pensamento de estudar, se formar e conseguir um emprego para que possa ajudar a família nas despesas e dar uma condição melhor para os mesmos, independente do que aconteça. Mesmo com uma angústia dentro do peito, só arruma suas coisas e segue o destino, sem saber nem o que o espera pela frente.
    Chegando à cidade, o estudante vai morar com parentes ou de favor na casa de alguém e a adaptação se torna muito difícil. As regras da casa são diferentes, muitas vezes não têm tanta proximidade com as pessoas e a falta de diálogo vai pesando muito na mente de um jovem, que ainda está em formação.
    Neste novo lugar, os costumes são muito diferentes e porque a liberdade que se tinha na roça, de sair pelas estradas, sem ter preocupação; na cidade, já não pode ter! O novo ambiente é tudo mais perigoso e onde ele foi morar muitas vezes tem que passar por humilhações, e ouvir certas coisas, sem poder falar nada.
    Mas é preciso continuar, pois ele tem um sonho para ser realizado, e prometeu para si mesmo que não iria desistir e nem decepcionar as pessoas que ficaram na casa da roça, acreditando no filho e trabalhando duro para poder sustentá-lo na cidade, com tantos gastos.
    Tão novo e tem ainda que ser forte! Na madrugada, vem o cansaço e a saudade de casa da roça, dá uma vontade de largar tudo e voltar para os braços dos pais. Quando criança, os pais falavam para seus filhos que o mundo ensina e é cruel (aplica às lições para as pessoas de uma forma diferente). Isso é verdade, porque ninguém vai ter dó ou misericórdia. Você vai aprender com seus erros e com seus sofrimentos e, muitas vezes, ninguém vai se importar com o que você está passando.
   “Eu também não tinha noção de como seria a vida lá fora, apenas arrumei minhas malas, dei a “bença” aos meus pais, e com os olhos lacrimejando segui minha caminhada”. Pensei que me adaptar na cidade seria fácil, que as pessoas eram mais comunicativas.
    O caminho daqueles que querem realizar seus sonhos não é nada fácil, mas coloque em mente que o que é fácil não vale a pena. Coloque em mente que todo sonho pode ser realizado, se você acredita nele. Seja uma pessoa perseverante.
Lute, conquiste! E depois volte naquela mesma varanda de sua casa,  lá na roça, dê a "bença" aos seus pais e diga que valeu a pena cada voto de confiança que eles lhe deram, dê aquele abraço apertado para compensar a saudade de todos os dias e fale no ouvido deles que você conseguiu e venceu.
Você terá a melhor sensação do mundo ao ver aqueles olhinhos brilhando de orgulho.

Autor (a):Anna Delmondes



segunda-feira, 20 de abril de 2020

Crônica de Uma Possível Paixão


Caros seguidores do Blog Tempo da Palavra, eu me apaixonei pelo início da narrativa de Lívia Caroline. Espero que vocês também e já estou à espera dos novos capítulos deste enredo. Parabéns, querida aluna. Profª. Antonise 
Vamos comentar esse texto e colocar nossas observações sobre esta POSSÍVEL PAIXÃO. 


Queridos leitores,


Hoje irei contar um pouco do que aconteceu ano passado comigo aqui no Campus do IF. Não costumo escrever diariamente, mas resolvi descrever os meus sentimentos. Eu me apaixono muito fácil por pessoas simpáticas e que amam desfrutar das simples coisas da vida.
Certa vez, estava eu sentada nas escadas da biblioteca do Campus lendo um livro de José de Alencar chamado "Diva", um dos romances que ele escrevia e é o livro que eu mais amo. De repente, desce desgovernado um garoto, o que mais me chamou atenção não foi o simples garoto, mas sim uma meia que ele estava usando até na canela com desenhos de alienígenas.

Algumas pessoas já tinham me falado sobre a grande reputação dele, e que era um dos mais bonitos do Campus, mas não liguei muito para esse comentário porque eu o achei um completo babaca.

 O dia se passou e lá estava eu novamente nas escadas lendo meu livro. De repente, o rapaz aparece novamente, todo atrapalhado e esbarra em mim.  O cara que eu achava um idiota, pediu-me desculpas e logo depois perguntou que livro eu estava lendo. Começamos a conversar sobre vários livros que ele já havia lido na vida.  Achei aquilo fantástico, porque não imaginei ele lesse livros, mas enfim, conversamos e no final ele pediu meu número e começamos a criar mais assuntos aleatórios.

 E agora, será que vai rolar alguma coisa ou somente uma grande amizade?
 Isso tudo veremos na próxima crônica! 

Lívia Caroline 


OS SONHOS QUE NOS RESTAM




                                 OS SONHOS QUE NOS RESTAM
                                            
Texto enviado por Érica Nogueira, aluna da TURMA 4218 - Ensino Médio em Agropecuária - Reflexão sobre o papel dos sonhos e do trabalho para as pessoas. 

   No atual século XXI, o cotidiano de muitos cidadãos segue um ritmo sistemático e vazio, a qual pode-se notar de forma lúcida e precisa. A sociedade hodierna transformou os mesmos em “máquinas” que apenas trabalham constantemente, cerca de 8 a 9 horas por dia, e quando retornam a suas casas, mesmo estando no âmbito residencial, o trabalho ainda perpetua seus pensamentos, como se nunca tivessem saído de lá. 

Logo, tais pessoas não desaceleram seu ritmo mental e nem sequer conseguem meditar por um minuto a fim de chegar a conclusão “Por que o meu trabalho converteu-se em algo tão vazio?”. “Será o caminho certo?”. Raciocine então, se alguém não consegue tirar pelo menos 5 min por dia para meditar sobre sua vida, é porque algo não está seguindo uma cadência correta. 

Nesse caso, tais dúvidas podem ser justificadas por uma simples palavra: “sonhos”. Então perguntam: “Por que sonhos?”

 Não se tratam de sonhos que temos durante o sono profundo, mas aqueles que promovem características psíquicas, referentes às experiências criadas pela nossa mente, nas quais são de extrema relevância, pois os sonhos, apesar de serem expectativas para a realização de um desejo, estão intrinsecamente relacionados com os principais responsáveis, se não o mais, por prover vida e esperança as nossas ações do cotidiano.

Nessa perspectiva, percebe-se que os indivíduos estão cada vez mais sendo movidos por “pulsões” vazias, como a chamada “obrigação” que, por sua vez, torna o cidadão cada vez mais alienado dos aspectos bons oferecidos pela vida, o que os faz pensar que esta é literalmente isso, “suma obrigação” a ser cumprida. Todavia, deve-se considerar que não nem toda a população massiva em sociedade comporta-se dessa maneira. Muitos tentam lidar com rígido cotidiano, mesmo sem esperanças de melhoria. E partindo desse pressuposto, que os sonhos se tornam mister, até porque, tais são a chave para desencadear novos sentimentos, como a motivação, esperança e expectativas para o preenchimento das extremas lacunas da rotina diária. 

É nítido observar que os avanços na atualidade, apesar dos seus frutos no que diz respeito a um maior conforto do homem, levam-no a imensidão tecnológica maquiavélica e usurpadora de valores em sua capacidade de manipulação do pensamento humano, quando deveria ser o contrário. Os sonhos que nos restam podem ser os únicos a fazer tais pessoas assumirem o controle sob suas vidas, antes que tal imbróglio tecnológico perpetue em meio social de forma errônea.