domingo, 27 de maio de 2012

CONHECENDO OS ESPAÇOS DO INSTITUTO FEDERAL CAMPUS ZONA RURAL


NOVOS SENTIDOS SOBRE  A PRODUÇÃO TEXTUAL:  SAIR DO ESPAÇO DA SALA DE AULA

Nesta última semana, nas aulas de Português Instrumental do IF – CAMPUS ZONA RURAL fui provocada por um aluno, Adriano, sobre o sentido das produções textuais em sala de aula. Ele questionou os motivos pelos quais não saímos para outros espaços na própria Instituição. O objetivo foi possibilitar um novo olhar sobre o ensino, a leitura e escrita de textos acadêmicos permeados por observações das atividades, espaços e áreas existentes numa Escola de Ensino Técnico e Tecnológico Superior, como os cursos de Vitivinicultura e Enologia, Horticultura, Agroecologia, etc.
 A partir dessa provocação, organizamos um passeio na manhã da quinta, dia 24 de maio. A turma ficou empolgada com a proposta e no dia determinado, estávamos prontos. Precisávamos de vestimentas apropriadas, câmera digital, o lanche para a pausa no percurso, protetor solar, tênis ou sapatos confortáveis. E, claro, a presença de Arlete, guia do passeio, técnica em Agroindústria e estudante de Enologia. Esta jovem há algum tempo vive e estuda na Escola e conhece bem os lugares visitados.
A expectativa da parte inicial de produção textual era tamanha que até sonhei com a aventura. Na hora combinada, estávamos animados com a caminhada. No início, nenhuma preocupação com o cansaço ou distância a ser percorrida. Orientei que a atividade consistia em observar, sentir, ver, perceber detalhes dos ambientes a serem visitados. Posterior ao passeio, registraríamos em forma de textos as sensações, as visões, a interação ocorrida. A fotografia foi uma aliada para o registro dos momentos descontraídos, as orientações recebidas por Sr. Manoel Fernandes, que tão bem nos explicou sobre as atividades nas hortas orgânicas, sobre o uso de adubos e defensivos agrícolas. Este foi mais um momento de aprendizagem, o qual não estava determinado nesta atividade.
O percurso da caminhada não era pequeno. Estaríamos na caatinga com tempo, interesse e disponibilidade naquela manhã, para percebermos o quanto extrapolar a sala de aula, possibilitaria novas descobertas no ato de escrever. Afinal, um dos requisitos foi que todos participariam do processo, inclusive a professora que relata esta experiência. Afinal, ler, escrever e também interagir oralmente em diversas situações do cotidiano faz parte da vida dos jovens fora da escola e essas atividades corriqueiras, realizadas à medida que trabalham, curtem músicas, algum esporte, participam de diversos grupos são eventos de letramento que exigem algumas capacidades de linguagens e interação, principalmente numa caminhada como a que foi realizada.
Sabe-se que temas de interesse dos jovens não estão presentes na sala de aula de forma legítima. Por isso, buscar motivação para novas aprendizagens é um dos nossos desafios enquanto docentes, mesmo no Ensino Superior numa Instituição Pública Federal.
Verifica-se que no processo de aprendizagem da língua materna ainda encontramos produções textuais que não fazem uso da leitura e escrita para expressar e entrelaçar as subjetividades da juventude. Não há conciliação entre o espaço escolar e o ‘mundo juvenil’.  Se exige dos estudantes alargar as vias de acesso a outros espaços de produção e circulação de conhecimentos, mas o professor permanece em sala de aula, nas quatro paredes.
Parece-me, então, que a atividade fora da sala de aula rompeu com esta realidade corrente e a intencionalidade da ação pedagógica terá seus efeitos positivos quando forem postados os textos da turma de Enologia – VE 07 – TURMA 2012.1, pois haverá discussão e avaliação dos resultados deste projeto experimental de instrumentalização da ação pedagógica nas aulas de Língua Portuguesa.
Realmente, conhecemos muitas áreas da Instituição até então desconhecidas da maioria. Existe a beleza do ambiente de caatinga, com o canal de irrigação do rio São Francisco, somada à disposição dos espaços, as possibilidades de aprendizagens sobre diversas temáticas a serem exploradas, tais como o uso de defensivos agrícolas, as máquinas e equipamentos agrícolas existentes, as plantas, os animais. Vimos o andamento de pesquisas e os projetos experimentais  dos colegas, associados às vias de acesso e  circulação de conhecimento  que uma Instituição Pública Federal garante aos discentes e docentes na complexidade e na dinâmica de um ambiente de aprendizagem apropriado para cursos técnicos e tecnológicos nas áreas agrícolas, de agroecologia, de enologia e de muitos outros cursos.
Urge que nós, professores, reconheçamos o lugar dos jovens em todo este processo de conhecimento e os vejamos como produtores e consumidores de bens culturais, a partir de práticas letradas específicas, como é o caso do uso deste espaço do blog Tempo da Palavra. Houve uma transformação na maneira de ensinar bem mais significativa.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

 Desabafos, reflexões que preencheram a minha mente neste final de semana, talvez os efeitos dos embalos de sábado à noite ou apenas para relembrar você e o princípio de uma AMIZADE MODERNA.

AMIZADE MODERNA


Tenho receios, há inquietude em meu ser

Passo sorrateira e não chamo a sua atenção

Depois, a conversa.

Dois estranhos, nada em comum.

Há tanto silêncio em mim!

Não quero mais gritar

Ou mostrar ao mundo quem sou,

Apenas relembrar você.

O instante, tão breve e sóbrio.

Os imprevistos justificam a ausência.

Chega um mal-estar e os corpos não se encontram

Vem a desculpa e sela o convite desfeito.

Há precipitação e desejo contidos.

Adormeço e num jardim de flores, girassóis vermelhos.

Gentilezas...

Brindamos o novo encontro

E cresce a intimidade.

Ao acordar, sinto ainda o passeio nas asas do amor.

Livres e amorosos curtem a amizade moderna.

Antonise Coelho