terça-feira, 26 de junho de 2012

O Pequeno Barco de Velas Brancas


No início de cada semestre, seleciono textos reflexivos para as primeiras aulas e foi num momento de longa espera no aeroporto de Maringá(PR) em janeiro passado (2012) que encontrei, folheando uma revista, este lindo texto de Rubem Alves. Imediamente guardei-o como nós, professores, sempre fazemos ao encontrar um material para ser utilizado em nossas aulas e foi o que fiz.
Aqui, um fragmento para inspirar nossos leitores. Meus alunos e alunas também desenharam, falaram, soltaram suas impressões sobre o tema em diversos contextos e salas de aula - Ensino Médio, Cursos Superiores, etc. 
Ressalto que este meu sentido de posse ao dizer "meus alunos e alunas" é porque sinto saudades dos momentos convividos com pessoas que tanto ressignificam a minha profissão, dai o pedido de desculpas se eu for mal interpretada.  Professora Antonise

 FRAGMENTO DO TEXTO ORIGINAL:

  O pequeno barco de velas brancas  - RUBEM ALVES  http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/r_alves/id180703.htm
 
Nasci nas Minas Gerais. Minas não tem mar. Minas tem montanhas, matas e tem céu. É aí que me sinto em casa. Uma babalorixá, sem que eu perguntasse, me revelou que meu orixá era Oxossi, o guarda das matas. Acreditei. E, por causa disso, quase fiz uma loucura. Estava no aeroporto, vi uma loja de arte, entrei para ver, e o que vi me fascinou: uma coleção de máscaras de orixás, assombrosas, fascinantes.
Entre elas, a máscara do meu orixá, Oxossi. Perguntei o preço. Muito cara. Mas eu estava em transe, enfeitiçado. Puxei o talão de cheques. "Vou levar", eu disse para a vendedora. "O seu cartão de embarque, por favor", ela disse. Mostrei. "Mas o seu vôo é doméstico. E essa loja só vende artigos para vôos internacionais." Saí triste, sem o meu Oxossi.
Minas não tem mar. Lá, quem quiser navegar tem de aprender que o mar de Minas é em outro lugar. "O mar de Minas não é no mar./ O mar de Minas é no céu,/ pro mundo olhar pra cima e navegar/ sem nunca ter um porto onde chegar." Acho que é por isso que em Minas nasce tanto poeta. Poeta é quem navega nos céus.
Comecei a navegar no mar de Minas quando era menino. Me deitava no capim e ficava vendo as nuvens e os urubus. Pensava poesia sem saber que era poesia. A Adélia diz que poesia é quando a gente olha para uma pedra e vê outra coisa. Como no famoso poema do Drummond, "No meio do caminho havia uma pedra..." Estou certo de que essa pedra que ele via era outra coisa cujo nome ele não podia dizer.           [...]



TEXTOS REFLEXIVOS PRODUZIDOS PELOS ALUNOS E ALUNAS:

1.Diego Brito - TH 12

 É sempre possível deixar o barco atracado ou só navegar nas baías mansas. Ai não há perigo de naufrágio. Mas não há o prazer do calafrio e do desconhecido, pois nossa vida é  feita de escolhas, e muitas  vezes ao ter que fazer escolha, a primeira coisa que vem a cabeça é não ter que ficar longe de casa, da família, dos amigos e também o medo de não conseguir, ou melhor, fracassar. Mas como o mar é perigo e naufrágio para quem tem medo de navegá-lo; é  a  aventura, para quem o navega. Assim também é a vida perigosa para quem tem medo de enfrentá-la, mas para quem a enfrenta é a maior aventura e um grande passo.      



2. Camila Gomes - VE 07

Sinto-me assim, um pequeno barco de velas brancas que não sabe ao certo aonde vai, só quer chegar a um lugar determinado. Pensando bem, somos um barquinho que para navegar, precisa da força dos ventos, assim como nós precisamos colocar fé e otimismo em tudo que iremos fazer, um barco feito com muito amor e que, ás vezes, teimoso, entra em furadas, mas nada que não se possa resolver, nem tudo são flores.
Na vida, passamos por muitas aprovações, aprovações boas, aprovações ruins, não importa, o que importa mesmo é saber passar pelas dificuldades com a cabeça erguida, sem fraquejar, sem desistir, assim como o barquinho pode passar por tempestade sem naufragar. Passada a dificuldade, é gratificante vê-las acabar por causa da nossa determinação e paciência e não porque alguém resolveu para nós, a gente pode e deve ser o marinheiro da nossa embarcação.
Nós que escolhemos deixar o barco atracado ou navegar mar à dentro, que no caso, esse mar é a vida, que sempre quer mais de nós, que existe calmaria, ondas e até tsunamis, cabe a cada um, saber levá-lo com segurança, sem deixá-lo ir a fundo para que na hora de jogar a ancora, olhar pra trás e dizer: Graças a Deus, no final deu tudo certo!
 Devemos tomar conta do nosso barquinho antes que seja tarde demais.


3.  Fernanda dos Santos Nogueira - VE 07

A vida é cheia de sonhos e vontades, sabendo que nada conseguimos com facilidade e sempre encontramos obstáculos assim como esse menino que tinha um desejo enorme de conhecer o mar. Mas como em Minas Gerais não tinha mar, Rubem Alves começou a observar que o mar de Minas Gerais era de outra forma, através da imaginação como olhar para o céu a navegar.
Navegando sempre, vendo coisas e transformando em outras, tendo como mestre de navegação os urubus que se deixam ser levados pelo vento. Mas quando se mudou para o Rio de janeiro conheceu realmente o que era o mar e ficava a ver os barcos de velas brancas levados pelo vento e viu que apesar do mar encantar ele também esconde grandes perigos.

Assim como na vida, somos um pequeno barco de velas brancas a navegar e que deixam ser levados pelo vento, mesmo com os grandes perigos a encontrar, que nem sempre o mar é calmaria, às vezes tem tempestades e ainda continuamos a navegar pelo puro prazer de entrar na mar. Persistindo em algo que não conhecemos, mas buscando forças.

4. Arlete Ribeiro do Nascimento - VE 07

A vida é o retrato da complexidade. No qual somos designados como um pequeno barco à vela perdido a navegar na imensidão do mar, em busca de um simples porto para ancorar. Mar com suas imensas ondas de problemas, e tentando o pequeno barco a afundar, e ele que abre suas velas, para da tempestade se afastar, mas apesar de todo o caus, segue em busca de um mar sereno e repleto de soluções a procura da normalidade da vida.Retornar e apreciar a beleza da existência de ser livre ao navegar e o mar de felicidade regressar.



5. PRODUÇÕES DO CURSO DE PEDAGOGIA - PARFOR - CURAÇÁ/BA:
 



6. Débora Samira - VE 07


A vida se comparada a um barco, nos dá duas opções: a de ficar atracado à margem, completamente inerte, ou a de está em alto mar, mas é claro que estando suscetível a grandes perigos.
E a mágica da vida está propriamente dita no movimento, nas oscilações, que nos embala a sair da inércia, para adentrar as variações da vida, sendo que ao passo que nos traz felicidades, prazeres entre outros, também nos trará momentos de perigos, de angústias, de sofrimentos, apesar dessas marés baixas, não devemos lançar ao mar nossa âncora e simplesmente parar.
Assim, e de forma firme, a vida nos remete a tomar as nossas decisões diante dela e mediante os nossos anseios e persistências e assim fazer com que os nossos objetivos se tornem a bússola a nos guiar nesse mar, que é a Vida.  

Um comentário:

jus disse...

esse texto possibilitou a criação de um longo período de reflexão e o trecho que Diego brito destacou é um dos mais fortes