domingo, 3 de maio de 2015

Literatura Clássica

Conhecendo as principais características desses movimentos literários que marcaram a cultura e a historia no Mundo e no Brasil. Os alunos técnicos em agropecuária 4206 dão um enfoque nos principais autores, de sua compreensão sobre os diferentes aspectos dessas escolas clássicas literárias.

Simbolismo


O Simbolismo é um movimento que aprofunda e radicaliza os ideais românticos, estendendo suas raízes à literatura, aos palcos teatrais, às artes plásticas. Ele nasceu na França, no final do século XIX, em contraposição ao Realismo e ao Naturalismo. No intenso contato com a cultura, a mentalidade, as artes e a religiosidade orientais, os artistas desta época mergulham nestes valores distintos do pensamento ocidental, mais racional, e espelham em suas criações esta outra visão de mundo. Sem o Romantismo, com sua oposição ao uso desmedido da Razão, o Simbolismo não existiria, pois ele se apropria dos princípios românticos e os aprofunda de tal forma que nem o romântico mais contagiado pelas raízes desta Escola o faria. Os simbolistas percorrem, assim, caminhos mais ousados e irracionais, recorrendo ao uso extremo dos símbolos e do misticismo, empreendendo rumo ao inconsciente uma jornada além dos limites extremos da razão, um mergulho nos recantos mais ocultos do inconsciente. Os simbolistas adotavam uma visão pessoal e individualista da realidade, sem se ater muito aos princípios estéticos então vigentes. Isto lhes valeu o pejorativo apelido de ‘decadentistas’. Em 1886, porém, a publicação de um importante manifesto – ‘O Século XX’, do teórico deste movimento, Jean Moréas - deu ao movimento seu nome definitivo - simbolismo. Na França, esta escola está intimamente ligada às consequências da Revolução Francesa, que marcaram sua natureza sociocultural, e às teorias elaboradas pelo Romantismo e pelo Liberalismo.
Para os adeptos do Simbolismo, não basta sentir as emoções, mas é necessário levar em conta também a sua dimensão cognitiva. Esta é a real postura poética, segundo seus seguidores. Este movimento se reveste igualmente de um marcante subjetivismo, ou seja, de um teor individualista, em detrimento da visão geral dos fatos. A musicalidade é um de seus atributos que mais se destaca; assim, os simbolistas usam ferramentas como a aliteração e a assonância. Além disso, o Simbolismo revela-se um movimento de caráter transcendental, sempre resvalando para a imaginação e a fantasia, privilegiando a intuição para interpretar os dados do real, desprezando a razão ou a lógica.

Os sonhos são para os discípulos do Simbolismo ferramentas fundamentais para compreender experiências ancestrais do homem, em épocas nas quais prevaleciam sensações caóticas e anárquicas, que hoje são relembradas pelo sujeito apenas em suas experiências oníricas ou nas sessões psicanalíticas. Esta escola é essencialmente literária, pois realiza no âmbito da Literatura uma completa renovação. Em Portugal o Simbolismo desembarcou no século XIX, com a publicação de “O aristo”, de Eugênio de Castro, em 1890. No Brasil, em 1893, publicou-se “Missal” e “Broquéis”, de Cruz e Sousa. Já a poesia simbolista não repercutiu no Brasil como o fez na Europa. Na França, o Simbolismo ganhou forças com a obra “As Flores do Mal”, do poeta Charles Baudelaire, em 1857.

- Janaine Santos Amorim e Jaqueline Gomes.
Turma: 4206

Simbolismo

Após a Segunda Revolução Industrial, a economia mundial entra em crise. Houve aumento da concorrência e, com isso, falta de mercado consumidor. As empresas pequenas não conseguiram sobreviver, sendo encampadas pelas maiores, formando os trustes. O monopólio da comercialização de produtos com a formação dos cartéis limita as condições de venda e de pagamentos. O capitalismo não se desenvolve de maneira uniforme no mundo, gerando concentração de capital em países como França, Inglaterra e Estados Unidos, instituindo-se as grandes potências e o imperialismo econômico.
Com o capitalismo e a evolução da ciência e da tecnologia, o mundo volta seu olhar para os interesses materiais. Entretanto, a classe trabalhadora não obteve melhorias em suas condições de vida, principalmente por causa da exploração de mão de obra como meio de auferir grandes lucros pelos empreendedores capitalistas. Isso gerou insatisfação e frustração ao homem comum, que passa a buscar conforto no lado místico e espiritual do universo. Tal busca pelo subjetivismo revela-se na arte como um retorno ao Romantismo, em que o anseio pelo refúgio fora do mundo real era valorizado. Nesse sentido, o predomínio da emoção supera o cientificismo e o objetivismo do período anterior, mas uma emoção carregada de frustrações e tristezas em decorrência do momento vivido na época.

Principais características da produção artística
- Predominância da emoção;
- O objeto deve estar subentendido, não se mostrando claramente – daí o "símbolo";
- Musicalidade (através de aliterações, assonâncias e outras figuras de estilo);
- Referências a cores, principalmente à branca;
- Presença de motivos religiosos; a poesia representaria uma espécie de ritual;
- Sonho, imaginação e espiritualismo;
- Subjetividade;
- Culto à forma, com influências parnasianas;
- Uso da figura de linguagem sinestesia, que representa a fusão de sensações (beijo amargo, cheiro azul), além de outras como personificação e metáfora;
- Abordagem vaga de impressões subjetivas e/ou sensoriais (Impressionismo), sobretudo na pintura.
Principais autores e suas obras no Brasil
- Cruz e Sousa: Broquéis, Missal, Evocações, Faróis, Últimos sonetos.
- Alphonsus de Guimaraens: Setenário das dores de Nossa Senhora, Câmara ardente, Dona Mística, Kiriale.
- Pedro Kilkerry: Re-visão de Kilkerry (organizado por Augusto de Campos).
Na França, destacaram-se principalmente Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud e Paul Verlaine. E em Portugal, Eugênio de Castro, Antônio Nobre e Camilo Pessanha.

Comentários

No poema de Cruz e Souza, podemos observar a referência à cor branca e à pureza pelos termos “fúlgidas, alvuras, castas, virginais, lactescências, raras”. Isso reflete sua obsessão pela pureza e pelo mistério, provavelmente por causa da cor de sua pele e pelo preconceito sofrido. Também há uma relação sensual entre desejo e morte, como em “braços nervosos, brancas opulências” (v.1) e em “abertos para o Amor e para a Morte” (v.14).
O poema é dominado por aliterações e assonâncias que estabelecem uma sonoridade vibrante e sibilante em sua leitura, com a utilização de plural como uma das principais marcas dessas figuras de linguagem. As figuras de estilo mais evidentes são as metáforas (v.1 e 2), sinestesia (v. 8 e 5), comparação (v. 10), sinédoque (v.1 e 9) e assíndetos por toda primeira estrofe.
Quanto à linguagem, é culta e sofisticada. Somente na utilização do verbo, “tetanizam”, há neologismo. O termo significa “afetados pela tetania, acometidos por contrações musculares relativas ao tétano”.
Em relação à forma, temos um Soneto, com versos decassílabos em todo o poema, influências da escola anterior – o Parnasianismo –, além da estrutura rítmica variada e o resgate de ritmos.

- Katharina Louise e Camila Andrade (4105) 


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