sexta-feira, 26 de abril de 2019

POEMA: NÃO ERA A HORA



 NÃO ERA A HORA!

Lá vem a garoa
Trazendo estilhaços de vento frio,
Formando um nevoeiro
aos corações dos amantes

Calafrios...
Palidez,
Quanta inquietação 
no âmago daquelas criaturas!
Não estavam livres,

Apenas presos aos desejos e ao tempo.

O amor queria se instalar
Lentamente,
Com palavras,
Com cumplicidade,
Com chamego.

Chega, não existe lugar para esse risco...

Paciência... 
Paciência!
Não era a hora!
- Quem sabe num ‘até breve’?

Mas o chuvisco persistia em umedecer o solo amoroso
Nesse vaivém, 
restava o bafo quente do mormaço 
e de uma leve desconfiança.

O adeus vem minar os afetos.
Desolados, buscam as últimas lembranças.

E das entranhas não saem mais o choro e o lamentar
As vozes não ecoam mais erudição,
apenas olham para o céu límpido. 

Só restou a saudade.

Antonise Aquino
Fevereiro de 2019.

Um comentário:

Paloma 4216 disse...

Que emocionante!
Lindo poema!
As coisas são como são. Na hora certa.
É isso!