quinta-feira, 30 de abril de 2020

A INDESEJADA DAS GENTES


A VIDA CONTINUA E EM BREVE,  ESTAREMOS LIVRES DESTE VÍRUS CRUEL.


  A INDESEJADA DAS GENTES

             Peço licença a Manuel Bandeira, grande poeta brasileiro, 
         para usar a expressão "a indesejada das gentes"
         Que corre solta, sem cabresto, numa vil empreitada.
Estava adormecida, mas a insensatez humana provocou seu despertar.
Quem sobreviver a ela não será mais como antes.
A indesejada das Gentes percorre mares e continentes e, até no sertão, vai chegar.
Desta vez, mais impiedosa e sorrateira, 
numa velocidade sem tamanho.
Um punhado lembrará seus efeitos na humanidade.
Alguns rogam para Deus, Alá, aos Anjos e Santos, 
o perdão dos pecados; enquanto outros, 
atravessam a tempestade incitando a sina.
A Passos largos, bate à porta dos sertanejos que imploram a ‘bença’ de Padre Cícero.
Para vencer essa Indesejada das Gentes basta ser Caruá e se esgueirar no aconchego solitário do lar. 
Nas frentes de batalha, resistem os destemidos e incansáveis profissionais de saúde, 
os gestores aguerridos com a causa.
E os iniludíveis não verão sortilégios nem tangos argentinos.
- Vai Passar! Tomara que sim!
          E quando tudo isso passar, vamos nos deitar à beira do Velho             Chico, agradeceremos a Deus o dom da vida,
          exaltaremos o Sol e na Consoada,
          contar-lhe-ei meus desejos mais íntimos.

Antonise Coelho de Aquino-
 Petrolina, 29 de abril de 2020


segunda-feira, 27 de abril de 2020

A LEITURA E A ESCRITA PARA AFASTAR MAUS PRESSÁGIOS EM TEMPO DE PANDEMIA



A PRESENÇA DA LEITURA E DA ESCRITA EM TEMPO DE ISOLAMENTO SOCIAL

Antonise Coelho de Aquino

A leitura entrou em minha vida na infância e nunca mais foi embora e, por isso, nesses dias de quarentena devido à pandemia do vírus Corona – doença Covid-19, busco a leitura e a escrita para afastar os maus presságios. Tive o privilégio de receber a influência de bons leitores: meus pais, avós maternos, professores e amigos, os quais fizeram com que o ato de ler fosse parte intrínseca de todas as etapas de minha vida.
Muitos anos depois, exercendo o magistério, percebi o quanto era necessário incentivar o gosto dos alunos por atividades de linguagem (ler e escrever) em sala de aula. Isto é o que fiz e faço, até hoje no exercício docente.
Na última década, aos poucos, fui me familiarizando com a tecnologia e criei com a ajuda de alunos e ex-alunos o Blog Tempo da Palavra. Em 2019, foi feito o cadastro no Google, transformando-o em Site/Blog. O curioso é que, os textos de atividades planejadas e de textos autorais postados, ao longo dos anos, apresentam um relevante aprendizado de escrita.
Concluí que existe um prazer desfrutado por quem participou e participa deste Blog e, consequentemente, esse escritor que deixou de ser apenas um leitor de romances, de livros policiais, porém alguém assim como eu mesma, que sente a adrenalina provocada por esses gêneros de ficção.
Não tenho preconceitos com qualquer tipo de literatura. Relembro que durante os estudos no Colégio N. Senhora Auxiliadora, em Petrolina-PE, eu ia buscar livros emprestados de Agatha Christie (1890-1976) na casa da amiga Tânia. Também sentia-me fascinada com a leitura dos clássicos da literatura universal e a brasileira ( às vezes mal interpretados e considerados chatos pelos jovens).
 Aproveito o ensejo para sugerir alguns autores que fizeram parte da trajetória desta mulher sertaneja, dentre os quais: Cervantes, Edgar Alan Poe, Sherlock Holmes, Jorge Luís Borges, Mário Quintana, Clarice Lispector, Cecília Meireles,  Ligia Boyunga Nunes, Ligia Fagundes Telles, Raquel de Queiroz, José Américo de Lima (era pernambucano e meu amigo particular, quanta saudade!) e tantos outros autores, homens e mulheres que alcançaram êxito com as narrativas, poemas, proporcionando-nos entretenimento, prazer, conhecimento crítico das coisas e dos seres.
Há de se considerar que a leitura/literatura não é um mero divertimento, mas é capaz de traçar aspectos significativos da história da humanidade, além de questionar e apontar diversos problemas sociais, políticos, históricos, econômicos e de saúde, como a pandemia originada pelo Corona vírus, neste ano de 2020.
Ao ler o mundo, antes da leitura de palavras, segundo nosso grande pensador Paulo Freire, nós estamos modificando nossa própria maneira de ser e de agir com muito mais maturidade, bem como carregados de esperanças que as leituras nos permitem sentir.
Finalizo esta escrita me apropriando das palavras de Jorge Luís Borges, citado pelo simpático pensador Roger Chartier ( 2007), o qual eu tive a alegria de conhecê-lo pessoalmente, como também ajudá-lo a solucionar um contratempo no Campus da Universidade Federal de Minas Gerais em 2010 e afirmou: “ O livro não é uma entidade fechada: é um diálogo, uma relação; é um centro de inumeráveis relações” estabelecidas entre o leitor e a obra, entre o leitor e mundo.
Se o ato de ler me proporciona tantas reflexões, aprendizados, lembranças é porque esse ato não é, nem nunca foi,  um ato solitário e fechado, mas está carregado de sentimentos, interações e possibilidades de contato com as vidas de pessoas de diferentes regiões e épocas, mesmo em momentos tão difíceis, como os quais estamos passando agora.  

INFÂNCIA: " Em cada machucado, uma história".


Em sala de aula, falamos sobre o tema INFÂNCIA com meus alunos e alunas do 2º ano em Agropecuária. É uma temática abordada pelos poetas da Geração Romântica da literatura brasileira porque muitos estavam em exílio, longe do País. 
Já para os alunos, esse período da vida aconteceu há bem pouco tempo. As memórias estão ali bem próximas. Acredito que isto ajudou a refletir sobre o papel das amizades, das trocas.
Temos aqui os textos de Luis Gustavo e Brena. Parabéns!

    Infância
 Luiz Gustavo Ramos dos Santos


Com quais palavras podemos definir nossa infância, talvez lembrando dos bons momentos, boas falsas ilusões.
Época de ingenuidade, por exemplo, quando achamos que nosso pai é o homem mais forte do mundo. Sendo também a época de novas descobertas, de novos sonhos e possivelmente a escolha da profissão.
Considero a infância como época de alegria e brincadeiras, quando brincamos com nossos amigos de esconde-esconde, pega-pega, dono da rua, jogamos bola e nossa maior preocupação era não ouvir o chamado da minha mãe para acabar as brincadeiras.
 Será que minha mãe vai me chamar agora para entrar?
 Porém, você cresce e se depara com decepções. É como diz um trecho da canção de autoria da  kell Smith, você descobre que um joelho ralado doe bem menos que um coração partido.



INFÂNCIA

                          
Brena Menezes

Nem vivi as outras fases, mas posso falar com toda certeza que a infância é a melhor fase da minha vida. O maior problema era quando chegava a noite e não dava tempo de brincar mais e eu tinha que aguardar chegar o outro dia para continuar brincando. 
Quando eu ia para a roça e brincava na terra, criando castelos ou então quando eu pegava um papel e desenhava um mundo conforme a minha imaginação.
Com alguns brinquedos, eu viajava para qualquer lugar criando um mundo do meu jeito, ou então quando eu caia e me machucava. Cada machucado é uma história.
As minhas férias foram as melhores, eu ficava vários dias na casa dos meus primos e lá eu brincava bastante, ficava horas jogando UNO ou até mesmo "inventando" brinquedos, como pegar uma garrafa e transformá-la em um skate ou então pegar uma embalagem com quatro tampinhas e fazer um carrinho, sempre usando a imaginação.
Todos deveriam aproveitar a infância da mesma forma, se desapegar do celular e ir brincar de pique esconde, amarelinha... Entre outras brincadeiras e aproveitar essa fase da vida de uma forma simples e feliz.


quarta-feira, 22 de abril de 2020

SER UM SEGUIDOR DO BLOG TEMPO DA PALAVRA

 1. Por que é importante ser um SEGUIDOR DO BLOG TEMPO DA PALAVRA?

Justamente para que possamos saber quem está deixando os comentários dos textos publicados. Se você não se cadastra, aparece a palavra UNKNOWN, ou seja, desconhecido. Portanto, ajude-nos a publicizar esta ferramenta de grande importância para os nossos alunos e também para mim.


2. Se desejar enviar seu próprio texto, o e-mail do Blog é TEMPODAPALAVRA@HOTMAIL.COM ( EM letras minúsculas)
3. Clique ao lado ( seguir) e adicione seu e-mail do gmail. Esse cadastro pode ser feito no CELULAR também.

Aguardamos a sua participação.

Professora Antonise

A SAÍDA DE CASA - Ana Paula Delmondes

Em tempos de isolamento, longe do Campus, das aulas, a escrita do texto de Ana Paula Delmondes, aluna do Terceiro em Agropecuária do IF SERTÃO PE nos traz uma profunda reflexão sobre o modo de viver e o quanto está em casa, com a família são momentos de aprendizagem e amor. 
Depois que tudo isso passar, o retorno às aulas, ao Campus e à casa dos parentes será realizado com mais maturidade e força para estudar e vencer as dificuldades. 

PARABÉNS, Ana Paula Delmondes.

Caros seguidores, agradeço-lhes a contribuição de vocês ao enviarem suas produções para o e-mail tempodapalavra@hotmail.com



A saída de Casa

    A saída da casa dos pais em busca de sonhos é algo que mexe muito com o psicológico dos adolescentes, vindos de uma realidade humilde, em que os pais trabalham na roça para poder sustentar os filhos e, às vezes,  o que eles ganham não é o suficiente para arcar com as despesas da família.
    O jovem sai de casa com o pensamento de estudar, se formar e conseguir um emprego para que possa ajudar a família nas despesas e dar uma condição melhor para os mesmos, independente do que aconteça. Mesmo com uma angústia dentro do peito, só arruma suas coisas e segue o destino, sem saber nem o que o espera pela frente.
    Chegando à cidade, o estudante vai morar com parentes ou de favor na casa de alguém e a adaptação se torna muito difícil. As regras da casa são diferentes, muitas vezes não têm tanta proximidade com as pessoas e a falta de diálogo vai pesando muito na mente de um jovem, que ainda está em formação.
    Neste novo lugar, os costumes são muito diferentes e porque a liberdade que se tinha na roça, de sair pelas estradas, sem ter preocupação; na cidade, já não pode ter! O novo ambiente é tudo mais perigoso e onde ele foi morar muitas vezes tem que passar por humilhações, e ouvir certas coisas, sem poder falar nada.
    Mas é preciso continuar, pois ele tem um sonho para ser realizado, e prometeu para si mesmo que não iria desistir e nem decepcionar as pessoas que ficaram na casa da roça, acreditando no filho e trabalhando duro para poder sustentá-lo na cidade, com tantos gastos.
    Tão novo e tem ainda que ser forte! Na madrugada, vem o cansaço e a saudade de casa da roça, dá uma vontade de largar tudo e voltar para os braços dos pais. Quando criança, os pais falavam para seus filhos que o mundo ensina e é cruel (aplica às lições para as pessoas de uma forma diferente). Isso é verdade, porque ninguém vai ter dó ou misericórdia. Você vai aprender com seus erros e com seus sofrimentos e, muitas vezes, ninguém vai se importar com o que você está passando.
   “Eu também não tinha noção de como seria a vida lá fora, apenas arrumei minhas malas, dei a “bença” aos meus pais, e com os olhos lacrimejando segui minha caminhada”. Pensei que me adaptar na cidade seria fácil, que as pessoas eram mais comunicativas.
    O caminho daqueles que querem realizar seus sonhos não é nada fácil, mas coloque em mente que o que é fácil não vale a pena. Coloque em mente que todo sonho pode ser realizado, se você acredita nele. Seja uma pessoa perseverante.
Lute, conquiste! E depois volte naquela mesma varanda de sua casa,  lá na roça, dê a "bença" aos seus pais e diga que valeu a pena cada voto de confiança que eles lhe deram, dê aquele abraço apertado para compensar a saudade de todos os dias e fale no ouvido deles que você conseguiu e venceu.
Você terá a melhor sensação do mundo ao ver aqueles olhinhos brilhando de orgulho.

Autor (a):Anna Delmondes



segunda-feira, 20 de abril de 2020

Crônica de Uma Possível Paixão


Caros seguidores do Blog Tempo da Palavra, eu me apaixonei pelo início da narrativa de Lívia Caroline. Espero que vocês também e já estou à espera dos novos capítulos deste enredo. Parabéns, querida aluna. Profª. Antonise 
Vamos comentar esse texto e colocar nossas observações sobre esta POSSÍVEL PAIXÃO. 


Queridos leitores,


Hoje irei contar um pouco do que aconteceu ano passado comigo aqui no Campus do IF. Não costumo escrever diariamente, mas resolvi descrever os meus sentimentos. Eu me apaixono muito fácil por pessoas simpáticas e que amam desfrutar das simples coisas da vida.
Certa vez, estava eu sentada nas escadas da biblioteca do Campus lendo um livro de José de Alencar chamado "Diva", um dos romances que ele escrevia e é o livro que eu mais amo. De repente, desce desgovernado um garoto, o que mais me chamou atenção não foi o simples garoto, mas sim uma meia que ele estava usando até na canela com desenhos de alienígenas.

Algumas pessoas já tinham me falado sobre a grande reputação dele, e que era um dos mais bonitos do Campus, mas não liguei muito para esse comentário porque eu o achei um completo babaca.

 O dia se passou e lá estava eu novamente nas escadas lendo meu livro. De repente, o rapaz aparece novamente, todo atrapalhado e esbarra em mim.  O cara que eu achava um idiota, pediu-me desculpas e logo depois perguntou que livro eu estava lendo. Começamos a conversar sobre vários livros que ele já havia lido na vida.  Achei aquilo fantástico, porque não imaginei ele lesse livros, mas enfim, conversamos e no final ele pediu meu número e começamos a criar mais assuntos aleatórios.

 E agora, será que vai rolar alguma coisa ou somente uma grande amizade?
 Isso tudo veremos na próxima crônica! 

Lívia Caroline 


OS SONHOS QUE NOS RESTAM




                                 OS SONHOS QUE NOS RESTAM
                                            
Texto enviado por Érica Nogueira, aluna da TURMA 4218 - Ensino Médio em Agropecuária - Reflexão sobre o papel dos sonhos e do trabalho para as pessoas. 

   No atual século XXI, o cotidiano de muitos cidadãos segue um ritmo sistemático e vazio, a qual pode-se notar de forma lúcida e precisa. A sociedade hodierna transformou os mesmos em “máquinas” que apenas trabalham constantemente, cerca de 8 a 9 horas por dia, e quando retornam a suas casas, mesmo estando no âmbito residencial, o trabalho ainda perpetua seus pensamentos, como se nunca tivessem saído de lá. 

Logo, tais pessoas não desaceleram seu ritmo mental e nem sequer conseguem meditar por um minuto a fim de chegar a conclusão “Por que o meu trabalho converteu-se em algo tão vazio?”. “Será o caminho certo?”. Raciocine então, se alguém não consegue tirar pelo menos 5 min por dia para meditar sobre sua vida, é porque algo não está seguindo uma cadência correta. 

Nesse caso, tais dúvidas podem ser justificadas por uma simples palavra: “sonhos”. Então perguntam: “Por que sonhos?”

 Não se tratam de sonhos que temos durante o sono profundo, mas aqueles que promovem características psíquicas, referentes às experiências criadas pela nossa mente, nas quais são de extrema relevância, pois os sonhos, apesar de serem expectativas para a realização de um desejo, estão intrinsecamente relacionados com os principais responsáveis, se não o mais, por prover vida e esperança as nossas ações do cotidiano.

Nessa perspectiva, percebe-se que os indivíduos estão cada vez mais sendo movidos por “pulsões” vazias, como a chamada “obrigação” que, por sua vez, torna o cidadão cada vez mais alienado dos aspectos bons oferecidos pela vida, o que os faz pensar que esta é literalmente isso, “suma obrigação” a ser cumprida. Todavia, deve-se considerar que não nem toda a população massiva em sociedade comporta-se dessa maneira. Muitos tentam lidar com rígido cotidiano, mesmo sem esperanças de melhoria. E partindo desse pressuposto, que os sonhos se tornam mister, até porque, tais são a chave para desencadear novos sentimentos, como a motivação, esperança e expectativas para o preenchimento das extremas lacunas da rotina diária. 

É nítido observar que os avanços na atualidade, apesar dos seus frutos no que diz respeito a um maior conforto do homem, levam-no a imensidão tecnológica maquiavélica e usurpadora de valores em sua capacidade de manipulação do pensamento humano, quando deveria ser o contrário. Os sonhos que nos restam podem ser os únicos a fazer tais pessoas assumirem o controle sob suas vidas, antes que tal imbróglio tecnológico perpetue em meio social de forma errônea.


Estradas de Ângela Paulina

A aluna Angela Paulina reflete sobre o papel das estradas da vida. Ela questiona por quê muitos param no meio do caminho. Neste momento de pandemia e isolamento social, esse texto é uma pequena reflexão sobre a vida.



Estradas

No vai e vem das coisas, passa carro passa pessoa, gente triste, gente feliz, correndo ou devagar, mas ela está lá, mesmo velha ou nova, sendo pavimentada ou não.
Ruas largas ou estreitas estão em todos os lugares. Como se tem no trecho da música “Pelas longas estradas da vida “de Milionário e José Rico, pois todos iremos percorrê-las. É difícil, até alcançar os nossos sonhos, o caminho é extenso, cheios de altos e baixos, mas todos sabemos no fundo, que um dia alcançaremos o primeiro lugar.
Mas por que muitos param no meio do caminho?
Nelas, nós encontramos vários obstáculos, mas também muito aprendizado, crescendo cada vez mais.
As estradas nos conduzem para encontrarmos nossos futuros destinos. Na estrada da vida, levamos o máximo de bagagem conosco, pois qualquer imprevisto no meio do caminho, estará  na bagagem algo para nos ajudar.


Angela Paulina