segunda-feira, 27 de abril de 2020

A LEITURA E A ESCRITA PARA AFASTAR MAUS PRESSÁGIOS EM TEMPO DE PANDEMIA



A PRESENÇA DA LEITURA E DA ESCRITA EM TEMPO DE ISOLAMENTO SOCIAL

Antonise Coelho de Aquino

A leitura entrou em minha vida na infância e nunca mais foi embora e, por isso, nesses dias de quarentena devido à pandemia do vírus Corona – doença Covid-19, busco a leitura e a escrita para afastar os maus presságios. Tive o privilégio de receber a influência de bons leitores: meus pais, avós maternos, professores e amigos, os quais fizeram com que o ato de ler fosse parte intrínseca de todas as etapas de minha vida.
Muitos anos depois, exercendo o magistério, percebi o quanto era necessário incentivar o gosto dos alunos por atividades de linguagem (ler e escrever) em sala de aula. Isto é o que fiz e faço, até hoje no exercício docente.
Na última década, aos poucos, fui me familiarizando com a tecnologia e criei com a ajuda de alunos e ex-alunos o Blog Tempo da Palavra. Em 2019, foi feito o cadastro no Google, transformando-o em Site/Blog. O curioso é que, os textos de atividades planejadas e de textos autorais postados, ao longo dos anos, apresentam um relevante aprendizado de escrita.
Concluí que existe um prazer desfrutado por quem participou e participa deste Blog e, consequentemente, esse escritor que deixou de ser apenas um leitor de romances, de livros policiais, porém alguém assim como eu mesma, que sente a adrenalina provocada por esses gêneros de ficção.
Não tenho preconceitos com qualquer tipo de literatura. Relembro que durante os estudos no Colégio N. Senhora Auxiliadora, em Petrolina-PE, eu ia buscar livros emprestados de Agatha Christie (1890-1976) na casa da amiga Tânia. Também sentia-me fascinada com a leitura dos clássicos da literatura universal e a brasileira ( às vezes mal interpretados e considerados chatos pelos jovens).
 Aproveito o ensejo para sugerir alguns autores que fizeram parte da trajetória desta mulher sertaneja, dentre os quais: Cervantes, Edgar Alan Poe, Sherlock Holmes, Jorge Luís Borges, Mário Quintana, Clarice Lispector, Cecília Meireles,  Ligia Boyunga Nunes, Ligia Fagundes Telles, Raquel de Queiroz, José Américo de Lima (era pernambucano e meu amigo particular, quanta saudade!) e tantos outros autores, homens e mulheres que alcançaram êxito com as narrativas, poemas, proporcionando-nos entretenimento, prazer, conhecimento crítico das coisas e dos seres.
Há de se considerar que a leitura/literatura não é um mero divertimento, mas é capaz de traçar aspectos significativos da história da humanidade, além de questionar e apontar diversos problemas sociais, políticos, históricos, econômicos e de saúde, como a pandemia originada pelo Corona vírus, neste ano de 2020.
Ao ler o mundo, antes da leitura de palavras, segundo nosso grande pensador Paulo Freire, nós estamos modificando nossa própria maneira de ser e de agir com muito mais maturidade, bem como carregados de esperanças que as leituras nos permitem sentir.
Finalizo esta escrita me apropriando das palavras de Jorge Luís Borges, citado pelo simpático pensador Roger Chartier ( 2007), o qual eu tive a alegria de conhecê-lo pessoalmente, como também ajudá-lo a solucionar um contratempo no Campus da Universidade Federal de Minas Gerais em 2010 e afirmou: “ O livro não é uma entidade fechada: é um diálogo, uma relação; é um centro de inumeráveis relações” estabelecidas entre o leitor e a obra, entre o leitor e mundo.
Se o ato de ler me proporciona tantas reflexões, aprendizados, lembranças é porque esse ato não é, nem nunca foi,  um ato solitário e fechado, mas está carregado de sentimentos, interações e possibilidades de contato com as vidas de pessoas de diferentes regiões e épocas, mesmo em momentos tão difíceis, como os quais estamos passando agora.  

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