sábado, 9 de maio de 2020

VENCENDO A DEPRESSÃO: AQUILO QUE NUNCA FALEI


Ana Paula Delmondes, aluna do terceiro ano do Curso de Agropecuária, escreve com sensibilidade ao falar de seus próprios desafios e como está vencendo a Depressão É espetacular conhecer uma jovem tão talentosa para expressar em palavras suas tristezas e a capacidade de vencer, sempre. Parabéns, Ana Paula.



Hoje vou contar aqui nesse texto, algo que eu nunca esclareci para ninguém. Apenas quem convivia comigo sabia o que eu enfrentava. Talvez algumas lágrimas escorram dos meus olhos, porque ainda me dói falar disso, mas acredito que eu tenho que me libertar de tudo que se passou.
 Enfim, tudo começou no dia 24 de julho de 2019, é exatamente no dia do meu aniversário.     Eu tinha acabado de entrar de férias e fui para casa dos meus pais. Lá, comecei a sentir uma dor muito forte ao lado da minha cabeça, e não parava. Passei alguns dias assim, meus pais vendo que eu estava piorando me levaram para o hospital. Todos os dias ia para hospital para me aplicarem injeções e eu voltava para casa melhor, mas depois a dor voltava.
 Fui a um neurologista que me disse que eu tinha crise de enxaqueca e me passou um remédio, tão forte, que assim que eu tomava, se passavam alguns minutos e eu dormia. Passei os 14 dias que eu tinha de férias assim.
Eu era interna (residente) na escola onde estudo, e assim que retornei as aulas, algumas coisas estranhas aconteceram. Passei uma semana inteira tendo pesadelo com uma mesma pessoa. Nesse pesadelo, aparecia um homem, que ainda é meu parente, ameaçando minha mãe de morte e isso me atormentou muito. Esse pesadelo foi muito real, porque alguns meses antes, quando meus pais ainda trabalhavam em um bar, houve uma confusão, causada por esse mesmo homem, que de fato estava bêbado, mas no outro dia quando estava "bom" ele ameaçou minha mãe e todos da minha família (as pessoas que moravam na minha casa), por simplesmente ter sido denunciado, porque ele estava colocando a vida de muita gente em risco.
  Depois que eu tive esse pesadelo, eu não conseguia dormir direito, todos os dias acordava de madrugada com medo e era o tempo todo insegura a tudo. A partir daquele dia, começou o medo de perder minha mãe. Isso era tão grande que quando eu pensava nela, começava a chorar.
 Nos finais de semana eu ia para casa dos meus pais na roça, e retornava para a escola na segunda. Quando eu saía de casa, me dava um aperto no peito e meus olhos lacrimejavam.
 Meu comportamento foi mudando, em relação a tudo e a todos, eu chorava o tempo inteiro, me isolava, e muitas vezes eu saía da sala de aula chorando. Meu rendimento na sala de aula foi caindo, e meus amigos e alguns professores perceberam.
Nos corredores, já não andava sorrindo, uma tristeza me dominava, e eu sempre fui uma pessoa muito barulhenta, e muita gente notou que eu estava diferente.  Eu chorava tanto, que meus amigos resolveram me levar ao psicólogo da escola.  Mas enfim, quando chegava na sala dele, não conseguia falar nada, eu só chorava, minha voz não saía.
Realmente, foram dias muito difíceis.

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