sexta-feira, 15 de maio de 2020

O JOVEM E A DEPRESSÃO: COMO SUPERAR ESSE PROBLEMA


Ao longa da vida, vivenciamos a tristeza, que é um sentimento subjetivo universal, ao nos depararmos com conflitos, frustrações e perdas. É normal sentir-se triste, mas quando isto perdura por um longo período de tempo, poderá levar a um sofrimento psíquico associado aos transtornos de humor. Infelizmente, vemos essa situação nos jovens com mais predominância nos últimos tempos. 

No texto a seguir, Ana Paula Delmondes revela as suas angústias pessoais e como conseguiu superar esses problemas. Ela faz um alerta para todos nós, mostrando seu exemplo de luta para viver bem com a força da oração, da presença de Deus na vida dela.  Profª. Antonise.



SEGUNDA PARTE - AQUILO QUE NUNCA FALEI


   O psicólogo do IF -Sertão me deixava livre para falar. Quando eu conseguisse, ele estaria ali para me escutar. Nisso tudo, meus pais ainda não sabiam o que estava acontecendo, e eu também não conseguia dizer a eles.
 Nos finais de semana quando eu ia para a casa dos meus pais na roça, eu me isolava e só chorava, mas eles não perceberam, na segunda-feira eu retornava para a residência. Meu peito apertava, meu corpo todo tremia, meu coração acelerava do nada e meus olhos lacrimejavam a todo momento.
Quando a noite chegava meus pais sempre me ligavam para saber como eu estava, aquilo já era um costume deles. Em um determinado dia minha mãe me ligou, e perguntou se estava bem, eu disse que sim, mas minha voz travou e ela percebeu, eu estava chorando, minha voz mudou, e ela perguntou se eu realmente estava bem, eu falei que sim e desliguei o telefone. Uns 5 minutos depois meu pai me ligou, e eu tive que atender, eu sabia que uma hora ou outra eu teria que contar para eles. Nesse dia Gabriel, que andava sempre comigo e é a pessoa que eu considero como irmão, estava comigo. Eu estava falando com meu pai e chorando, contei pra ele que eu não parava de chorar e falei do pesadelo. Ele ficou preocupado, e disse que não era pra me se preocupar, porque isso logo iria passar e que sempre que eu fosse dormir era para eu orar. Eu sempre rezava.
   O tempo foi passando e aquilo não mudava, meus professores já estavam notando, e eu não conseguia apresentar nenhum trabalho na sala de aula. Muitas vezes, os professores me chamavam para conversar fora da sala.
   Teve um dia que piorei, e fui conversar com o psicólogo, chegando lá ele me falou que achava que eu estava entrando na depressão e disse que eu não poderia continuar morando na residência, porque eu ficava muito sozinha. Disse que ia me passar um encaminhamento para que eu pudesse conseguir uma maneira de conseguir ir pra casa sem me prejudicar na escola. Ele pediu o contato dos meus pais, e contou tudo para eles e disse que eu precisava de um tratamento fora da escola.
 No outro dia, minha mãe foi me buscar na escola, e me levou para casa. As condições financeiras estavam péssimas, mas eles fizeram de tudo para conseguir me levar a uma psiquiatra.  Procurei tratamento, na minha primeira consulta eu não deixei minha mãe entrar, não me sentia à vontade de falar tudo que eu sentia na frente dela, pois tinha um certo bloqueio. Ela me perguntou sobre o meu passado. Eu contei tudo, sobre o pesadelo que me acompanhou por uma semana, traumas vividos, muita coisa que aconteceu com a minha família, só que aquilo não me incomodava. Ela falou que eu estava totalmente errada, e que meu problema estava diante de mim, preso a coisas que aconteceram e a um passado cheio de traumas e feridas que ainda não tinham sido fechadas.
Fui diagnosticada com depressão, crise de ansiedade e síndrome do pânico (eu tinha medo de tudo).  O lado bom foi que eu procurei ajuda desde o início, senão aquilo tudo tinha se agravado bastante.  Eu já não ia mais a escola, nem saía de casa, não sentia vontade de fazer nada que eu gostasse e minha autoestima era sempre baixa.
    Passei a tomar remédios controlados. Na minha casa não tinha alegria e minha mãe sentia falta da pessoa barulhenta que eu era.
   Meus pais choravam o tempo inteiro, e minha mãe falava que o maior medo dela era que eu cometesse suicídio. Não vou negar, muitas vezes tive vontade de fazer isso. Meu pensamento era que se eu me matasse logo, todo meu sofrimento iria acabar, mas pensei no meus pais, que iriam perder a única filha mulher que tinham.
  Resolvi lutar contra todos esses traumas, passei 4 meses tomando os remédios, tudo na hora certa. Mas não conseguia sair de casa.
  Quando me perguntavam se eu sabia como isso tinha começado eu falava que não, porque tinha medo de algo pior acontecer. Uma pessoa que tem crise de ansiedade, sofre tudo com antecedência, ela tem medo de um futuro que ainda nem chegou. Em dezembro de 2019, resolvi ficar tomando apenas 1 remédio, que era de fato o mais forte dos que eu tomava. O tempo foi passando e eu já estava sentindo uma melhora, crise do pânico eu já não tinha mais.
Deus sempre esteve comigo nessa luta que enfrentei.
 Infelizmente, ainda não consegui me livrar da ansiedade, quando alguém me fala alguma coisa que não me agrada, eu não falo nada, mas no fundo me dói muito, e eu sofro dias por causa de apenas uma palavra ou frase.
   Mas hoje eu já sou uma pessoa mais alegre, tenho meus remédios ainda, mas decidi parar de tomar. Muitas vezes eu prefiro ficar isolada, mas não é como antes. Consigo  sair para me divertir com meus amigos e voltei a fazer muita coisa que eu gosto.
    Então, deixo aqui um recado para quem sofre com ansiedade ou depressão: não desista. Quando algo estiver sufocando vocês, falem! JogueM tudo para fora.
    Eu sei que não é fácil, mas não é impossível superar. Se apeguem muito com Deus, porque sem ele, não somos nada.
    O suicídio não é o melhor caminho. Vamos lutar juntos!

Autor (a):Anna Delmondes

2 comentários:

Rosângela Carvalho disse...

Muito profundo o seu texto... Que bom ter lido e obrigada por compartilhar!

Carla disse...

Força, Anna. É bom escrever para desabafar.